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O potencial da madeira revelado na obra de Paulo Alves

8 de março de 2016

A infância no interior e o legado de Lina Bo Bardi, os fundamentos da marcenaria artesanal e a inspiração na arte concretista se misturam na obra de Paulo Alves, que completou recentemente 20 anos de carreira. A inventividade e maestria no trabalho com madeira são marcas do trabalho de Paulo Alves, que teve seu aparador Mogno reconhecido com o Prêmio Madeiras Alternativas no Salão Design 2016.

Antes de sua atuação como designer, Paulo trabalhou como arquiteto no escritório de Lina Bo Bardi e também no Instituto Bardi, integrando a primeira equipe de pesquisa a inventariar os arquivos da arquiteta, para produção do livro e da exposição sobre a mestra italiana logo após sua morte, na década de 1990. Essas experiências consolidaram a influência central que o trabalho e o pensamento de Lina desempenham sobre Paulo, que via nas reflexões dela sobre a cultura e o saber populares um vínculo direto com a infância que teve no interior, e uma possibilidade de resgatá-la em seu próprio trabalho. “Para mim, mais abrangente que o raciocínio construtivo é o desejo de revelar a essência e o potencial da madeira. Jogar luz sobre essa riqueza tão grande e mal explorada no Brasil”, frisa.

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As linhas retas, que marcam os primeiros tempos da produção de Paulo Alves, guardam referências da formação do arquiteto na Escola de Engenharia da USP de São Carlos e das primeiras impressões do designer quando foi morar na cidade de São Paulo. O aparador Mogno, reconhecido com o Prêmio Madeiras Alternativas, foi criado pensando na robustez da madeira e nos veios diferenciados. Para introduzir essa nova espécie o Paulo Alves procurou fazer um móvel com linhas leves. Quando visto de frente, os pés se sobrepõem, criando um efeito interessante e deixando o desenho ainda mais delgado.

Na parte superior, para mostrar a beleza dos desenhos da madeira manteve-se o máximo possível a espessura original. Quando olhamos os topos é possível ver os raios de crescimento. Uma concavidade foi feita no tampo para servir como suporte, uma fruteira, o que você quiser, além de revelar desenhos orgânicos e inesperados. Um móvel de grandes dimensões para valorizar toda a unicidade do mogno africano.

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