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Prêmio Madeiras Alternativas: a expedição amazônica da designer Mariana Betting

22 de agosto de 2018

Nesse mês de agosto, teve a expedição amazônica que o estúdio emDoisdesign ganhou como vencedor do Prêmio Madeiras Alternativas – uma categoria especial do Prêmio Salão Design em parceria com o Serviço Florestal Brasileiro (SFB). Durante cinco dias, a designer Mariana Betting visitou o Laboratório de Produtos Florestais do SFB em Brasília e áreas de manejo florestal e processamento de toras, em Rondônia. O reconhecimento foi pelo uso de jequitibá na Penteadeira Nena.

Mariana voltou circuito e contou pro blog que a parte dos laboratórios de pesquisa em Brasília é incrível, com departamento de química e física para testagem dos diferentes tipos de madeira, identificação de espécies e eventuais fungos que podem atacar a madeira. Por lá, ela aprendeu que cada espécie de madeira tem uma colocação única de vasos irrigadores que funciona como uma impressão digital.

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Como é a floresta com manejo sustentável

Na parte de floresta, um universo de descobertas em áreas certificadas de manejo sustentável. Mariana conta que as áreas de concessão passam por uma avaliação prévia de campo e mapeamento de todas as árvores e espécies disponíveis. Por determinação do governo, algumas árvores são de reserva e não podem ser cortadas, incluindo aquelas que estiverem próximas a nascentes de rio. Da mesma forma, existem aquelas permitidas para manejo.

Todas as árvores dessas áreas legalizadas são identificadas com códigos de barras e quando as equipes de extração acessam a floresta, elas sabem exatamente quais devem ser extraídas naquele momento. No momento da extração, as equipes avaliam inclusive para qual lado aquela árvore vai pender e se não existe risco de atingir outras plantas protegidas em função da queda. O acesso dos tratores de arraste para também é controlado para minimizar os danos ambientais.

Essas áreas de concessão são fatiadas em vários lotes. Mariana visitou um lote extraído oito anos atrás e viu que a floresta já estava praticamente toda recuperada. Com o manejo sustentável, o corte controlado de árvores grandes propicia uma incidência maior de luz para as árvores menores do entorno, possibilitando que elas também se desenvolvam. “É verdadeiro o quanto a floresta consegue se recuperar e se reerguer. Ainda que a gente saiba que as madeiras de nosso uso no estúdio são sempre certificadas, foi muito elucidativo conhecer pessoalmente todo o processo envolvido”, conta a designer.

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A penteadeira Nena, que mistura madeira maciça e MDF, foi criada para o universo feminino e expressa isso na riqueza de detalhes.  O Jequitibá usado nos pés e gabinete confere a resistência estrutural da peça, assim como um tom natural rosáceo. A experimentação de formas aparece com frequência nos trabalhos do estúdio, que nasceu em Barcelona, onde ela fez mestrado em Design de Móveis e ele, em Ecodesign. No Brasil, são 12 anos com estúdio no Rio de Janeiro, num trabalho fortemente apoiado nas raízes da cultura brasileira e no resgate de suas origens.

 

Mais sobre o Prêmio Madeiras Alternativas

O Prêmio Madeiras Alternativas, concedido este ano à penteadeira Nena, é uma parceria entre o Prêmio Salão Design e o Serviço Florestal Brasileiro. Desde 1996, os projetos brasileiros inscritos no prêmio concorrem automaticamente a essa categoria especial. É escolhido o melhor projeto da edição fabricado a partir de espécies que o Serviço Florestal Brasileiro considera como não “muito utilizadas”.

Sob a análise de técnicos do Ministério do Meio Ambiente, o objetivo é a divulgação da enorme diversidade de madeiras existente no país. Além disso, a iniciativa estimula o manejo sustentável das florestas, ao passo que absorve sua produção, tornando-as econômica e ecologicamente viável. Durante muitos anos, o vencedor levava apenas um troféu especial, mas, desde 2015, o Serviço Florestal Brasileiro passou a conceder como prêmio uma expedição que começa no Laboratório de Produtos Florestais, em Brasília, e segue para Rondônia, onde o designer pode ver de perto a floresta amazônica e algumas áreas de extração, beneficiamento e manejo da madeira.

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