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Geral, Premiados,

Assinado por Marcelo Briza Bicudo para Butzke, o Banco Íris foi vencedor do Prêmio Madeiras Alternativas 2020. Conversamos com o designer sobre sua aproximação com madeiras brasileiras de produção sustentável.

PSD: Como você se aproximou das madeiras brasileiras de produção sustentável?

Marcelo: Ainda enquanto primeiranista na FAUUSP, em 1986, participei de um interessante projeto experimental de urbanização em arquitetura em terra crua, realizado em regime de mutirão na comunidade São Remo, localizada em plena Cidade Universitária. Ele envolvia a prensagem manual de tijolos de solo-carbureto (um resíduo industrial) e a confecção de lajes a partir dos mesmos, dispostos em abóbodas preenchidas por solo apiloado. Essas abóbodas, por sua vez, se apoiavam em dormentes de madeira recuperados, que cumpriam o papel das vigas.

Consideramos toda reutilização sistematizada de recursos naturais uma forma prioritária de produção sustentável.

PSD: Quais os principais aprendizados desse trabalho?

Marcelo: O Banco Íris é um projeto realizado três décadas depois e com pressupostos inteiramente diversos: um móvel para áreas externas, a ser produzido pela indústria, em equipamentos acionados por comando numérico. Cada banco consiste na repetição de um mesmo conjunto de peças de madeira por dezesseis vezes, aparafusadas em torno de um disco metálico, e que recebe em seu núcleo um dispositivo de iluminação alimentado por energia solar. Ou seja: um item de marcenaria orientado para produção em série com recursos de alta precisão e tecnologia embarcada.

O meu maior aprendizado residiu justamente na interação com a equipe da Butzke e num melhor entendimento do emprego do recurso madeira no âmbito da produção seriada.

Nossa escolha recaiu sobre o cumaru, madeira nativa de alta dureza e resistência às intempéries, produzida por meio de técnicas de manejo sustentável, a respeito da qual a empresa já dispunha de um respeitável know-how de fabricação.

PSD: Qual sua expectativa para a expedição amazônica, que é seu prêmio pela categoria Madeiras Alternativas? O que você deseja conhecer de perto?

Marcelo: Eu tenho enorme interesse em verificar pessoalmente como são as etapas de produção das madeiras nativas segundo as técnicas de manejo sustentável. Ter a oportunidade de interagir diretamente com as variáveis ecológicas e sociais dessa produção. Cumpre ao designer o papel de formador de opinião para um consumo mais responsável, cuja credibilidade só acontece quando há efetivo conhecimento.

Paralelamente, também me interessa demais a oportunidade de contato com a equipe do Laboratório de Serviços Florestais, em Brasília. Pensando num entendimento mais ampliado do tema em geral e a respeito das pesquisas mais recentes em particular.

Finalmente, meu trabalho mais atual retorna à questão do reaproveitamento de resíduos, agora do setor elétrico: cruzetas originalmente produzidas em madeiras amazônicas, além de outros materiais (como cabos, vidros, plásticos e louças). Tais madeiras foram submetidas a processos de autoclavagem envolvendo substâncias tóxicas. E é preciso investigar a fundo quais as condições seguras para o reaproveitamento das mesmas. Portanto me interessa acessar a equipe do Laboratório que já conduz uma pesquisa a respeito.


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